domingo, 29 de maio de 2011

Cemitério de Navios





Dando continuidade a pauta turística de ontem, hoje fomos a um local chamado "Praia de Santiago", também conhecida pelos locais de "Praia do Titanic", que fica no Município de Cacuaco, em Luanda. O apelido foi dado porque dezenas de navios avariados estão abandonadas nas praias do litoral de Angola, são muitas sucatas encalhadas a beira-mar. Não entendi bem o motivo do apelido, porque o Titanic afundou e aqui, os navios estão a deriva no mar, próximos a praia e também encalhados na areia. Se por um lado a cena é linda pelo tamanho dos navios e embarcações no local, por outro, pescadores e moradores reclamam e a Administração municipal não sabe o que fazer. São mais de cinquenta barcos inoperantes e em mau estado técnico, uma realidade que levou os banhistas à apelidarem a baía de "Cemitério de Navios". Os pescadores da área falam do estado preocupante das embarcações que não facilitam em nada a atividade pesqueira, entre outras implicações que eles provocam aos moradores próximos e aos visitantes da praia. Não sei até onde, essa reclamação é verdadeira, mas a imagem dos poucos banhistas no local, mostra que isso não é incomodo à diversão. Definitivamente a cena é espetacular e atrapalhando ou não a pesca, uma praia assim no Brasil seria um grande atrativo, se tornando sem dúvida um local muito frequentado. De Luanda até uma das praias de Cacuaco onde fica uma parte dos navios abandonados são cerca de 90 quilômetros de estrada. Os últimos 08 de estrada de chão em péssimo estado, sendo possível apenas fazer em carro grande com tração nas 4 rodas. Eu continuo irritado com a agente de imigração do aeroporto, mas começo a gostar das belezas que Angola tem me mostrado.

sábado, 28 de maio de 2011

Praia do Mussulo





Terceiro dia em Angola e hoje como uma das pautas era turística, fomos até uma praia chamada Mussulo, também conhecida como ilha do Mussulo. Localizada ao sul de Luanda, é uma ilha maior envolvida por outras menores. Nesta ilha, existem duas opções para os visitantes: do lado virado para o continente, onde as águas são mais calmas, fica mais fácil a prática de esportes náuticos, além de contar com diversas pousadas, bares e e restaurantes. Na praia do lado do Oceano, as águas são mais limpas , mas o mar é mais agitado. Este lado da ilha é povoado por famílias de pescadores. Por toda ilha existem milhares coqueiros e muitas casas de luxo. Até mesmo o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos tem uma casa por lá. Até tentei fazer uma foto da mansão, mas ela é vigiada 24 horas pela Guarda Nacional, que não permite nem mesmo passear de quadriciclo por perto. Fomos a uma das vilas de pescadores da ilha e mesmo com pobreza do local, as pessoas são simples, muito acolhedoras e felizes. Ao contrário da minha amiga agente de imigração do aeroporto. As crianças ainda se assustam com a modernidade de câmeras e microfone, mas não saíram de perto de nós, envolvidas pela curiosidade. O resultado ao final do dia foi positivo, mesmo depois de ter esquecido de passar o protetor solar e agora estar com os braços e o rosto sapecados. Acho que amanhã vai ficar tudo ardendo. Vida que segue!

Trânsito Caótico





Segundo dia em Luanda, saímos do hotel as 08 da manhã para uma pauta as 10 e chegamos pontualmente as 11:40. Isso só foi possível porque temos a colaboração de um motorista local, que diz conhecer os melhores caminhos e atalhos. O que mais impressiona é que aqui é a capital de um país projetada para abrigar 600 mil habitantes e hoje tem algo em torno de 4 milhões. Quem conhece São Paulo e já se acostumou com a perda de horas em engarrafamentos surta com o que vê. Já quem é daqui, diz que entre as 10 da manhã e as 4 da tarde o tráfego flui bem. Não sei se a moça da imigração espalhou que cheguei e todo mundo resolveu sair de carro só pra me sacanear, ou se baixou o preço da gasolina, mas essa história de horário bom pra sair de casa não existe. A velocidade máxima em alguns locais é de 10 quilômetros por hora, se der muita sorte. Os poucos semáforos que existem, não funcionam e quando funcionam, não são respeitados. A polícia quase não é vista nas ruas e mesmo quando estão por perto, sequer se movem para tentar melhorar o caos. A engenharia de trânsito é terrível. Hoje indo para outra pauta no final da tarde em uma área de trânsito menos intenso e em velocidade acima de 60 km por hora, me senti andando em círculos. Passamos por uma área fácil de identificar porque tinha uma cerca vermelha com muitas bandeiras coloridas que ficava a minha direita. Depois de uns 3 quilômetros essa mesma área, estava a minha esquerda no sentido contrário. Isso só aconteceu porque o retorno que era preciso fazer, fica há mais de 02 quilômetros de distância. Se não entendeu, tudo bem, eu também estou confuso até agora.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Primeira Impressão


Eu sempre ouvi dizer que a primeira impressão é a que fica. Se isso é verdade, apesar dos nove dias que ainda me restam em Angola, se eu puder decidir, eu não volto mais. Eu explico o motivo. Depois de 03 horas e 40 minutos de vôo de Johannesbrugo a Luanda, saindo de uma temperatura de 02 graus e chegando a outra de 28, encaramos uma fila de uns 25 a 30 minutos pacientemente, afinal já estávamos em terra e essa seria a parte mais fácil. Mas ao chegar a minha vez me deparei com uma agente do serviço de imigração que deveria ter tido uma noite ruim ou estava no auge de sua TPM. Como sempre me aproximei ao ser chamado, falei boa tarde e essa senhora, além de não responder, sequer olhou pra minha cara. Fez um gesto como se fosse muda pra que eu tirasse os óculos. Tudo bem, não deveria estar usando, retirei o óculos e ela apontou e bateu na pobre da câmera que fica no balcão. Com certeza esse equipamento tem vida curta. Por dedução, entendi que ela queria me fotografar. Sem muitas opções para gesticular ela me perguntou pela passagem de volta. Respondi que voltaria no dia 04 de junho. Ela foi obrigada a perguntar em que hotel eu tinha reserva. Eu olhei para o guichê ao lado e perguntei para a Adriana se ela sabia. Antes de ter uma resposta a gentil senhora TPM veio com um: _ Eu perguntei para o senhor e não para ela. Pronto, abaixei a cabeça, contei até 10 e fingi que não era comigo, esperei ela me devolver o passaporte e sai mudo. Resumindo, os próximos dias podem ser ótimos, mas duvido que essa imagem mude minha opinião à respeito desse país. E se alguém perguntar se é um lugar bom para conhecer a resposta é NÃO. Vá para o Haiti! Tenho certeza que lá vão te receber com um sorriso no rosto e um bom dia! O detalhe é que a desgraçada fala português como eu, mas acha que vive na Europa.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Revolving Restaurant


No edifício John Ross de 32 andares inaugurado em 1973 na cidade de Durban, a terceira maior da África do sul está um dos 36 restaurantes no mundo em que tanto o piso como as paredes giraram 360 graus em seu próprio eixo. O Roma restaurante giratório é uma das atrações mais procuradas da cidade e não adianta ir ao local almoçar ou jantar sem antes fazer uma reserva. O visual do topo do edifício é fascinante sendo possível ver quase toda a cidade. O cais do porto e a orla ficam ainda mais bonitos vistos de cima. O ambiente no topo de edifício funciona como uma sala de espera ao ar livre, os clientes do restaurante mesmo com reserva, esperam pacientemente por quase uma hora sem reclamar, tamanha a beleza que o lugar proporciona. Nessa área existem garçons exclusivos que circulam normalmente servindo bebidas até o momento em que as mesas são liberadas. Quem tem alguma fobia de altura não deve esperar por lá. As paredes laterais são de vidro e não são muito altas. A vista é ainda mais deslumbrante à noite. Já no restaurante, dois andares abaixo o giro só é possível graças a um moderno mecanismo equipado com motor elétrico que permite uma volta completa em um intervalo de 25 ou 90 minutos. O estilo italiano é de bom gosto, a comida muito saborosa, o atendimento é de primeira e o mais importante, o preço não é dos mais absurdos, os valores dos pratos variam de 10 a 25 dólares.

sábado, 30 de abril de 2011

Sozinho, com um grande amigo (a)

Eu já passei pela experiência de morar sozinho quando era bem jovem com uns vinte anos e agora com um pouco mais de trinta, de novo. A diferença é que agora moro sozinho e bem longe de todos que conheço. Da primeira vez passei por alguns perrengues que facilmente resolvia por estar perto de todo mundo. Houve uma ocasião em que estava com muita gripe e sem nenhum remédio ou descongestionante lembrei que água quente com um pouco de sal pra inalação resolveria meu problema de entupimento nasal. Nunca descobri se era verdade. Depois de colocar a água pra ferver, fui pra cama e dormi. Umas duas horas depois por sorte, acordei com uma fumaça de alumínio queimado por toda a casa. Tentei me livrar de um problema e quase morri buscando solução. Agora que estou nessa segunda experiência e bem mais calejado, me vejo em situações estranhas. Quando vou tomar banho levo o celular para o banheiro, nunca se sabe o que pode acontecer né?! Já ouvi falar de estranhos acidentes no banheiro e o seguro morreu de velho. Hoje por exemplo, resolvi pegar o GPS no carro pra localizar um endereço que preciso ir. Depois de sair de casa, trancar a porta e andar uns vinte metros lembrei do celular, voltei pra pegar, claro. Essa vida de aventureiro solitário em terras longínquas não é fácil como parece. Por falar em GPS, às vezes me pego falando sozinho com ela. O GPS é uma menina, mas é teimosa como todas as mulheres. As vezes ela me manda ir para um lado e eu sei que é mais perto por outro lado. Claro, sou sempre mais confiável do que um GPS, "mulher" e sigo meus instintos. Não sei porque ela insiste sempre em teimar comigo. De um jeito ou de outro, aqui, meu melhor amigo é o GPS.

domingo, 24 de abril de 2011

Santuário do Elefantes






O nome é muito pomposo: "Santuário dos Elefantes" ou Elephant Sanctuary, mas o local nem é tão grande ou santificado assim. Aninhado nas Montanhas Magaliesberg, uma hora a partir de Joanesburgo e Pretória. Imaginei que chegaria a um lugar onde os elefantes fossem tratados como deuses ou santos, mas não é bem assim. Não digo que são mau-tratados ou explorados, mas o local nada mais é que um circo a céu aberto, onde as pessoas pagam para ver os elefantes de perto, para tocar neles, tirar fotos, alimentá-los e até passear em suas costas. Em turnos de cerca de duas horas os guias acompanham os visitantes que interagem com os animais e ouvem um pouco sobre esses gigantes que podem ser dóceis ou violentos. No parque os guias afirmam que não há nenhuma maneira de ter uma impressão mais forte e criar uma memória duradoura que através do contato mais próximo e pessoal e interação com um animal tão majestoso e impressionante como um elefante Africano. O fato é que em alguns momentos é incomodo para quem está ali, saber que aqueles animais mesmo tão grandes e fortes, não são livres e com isso parecem estressados e tristes.

sábado, 9 de abril de 2011

Terceiro Mundo?




Quando algumas pessoas no Brasil dizem que eu moro em um país de terceiro mundo, não sabe do que está falando. Só quem vive aqui, sabe que apesar de estar no continente africano, à África do Sul está anos luz a frente do Brasil em algumas coisas. É fato também e até já escrevi sobre isso, que em alguns casos o Brasil tá bem adiantado. Um exemplo claro do avanço que existe aqui é o sistema de documentação de automóveis. Quando você é parado em uma blitz, o policial não pede o documento do carro, apenas a carteira de habilitação, isso porque o documento que ai no Brasil é chamado de IPVA deve ficar afixado no para-brisa dianteiro. É um disco de papel, com um código de barras, que tem todo o histórico do veículo e é trocado todos os anos. O policial olhando pelo lado de fora sabe se o carro está com a documentação em dia ou não. Se ficar alguma dúvida, ele pode usar um leitor ótico para confirmação dos dados.

sábado, 2 de abril de 2011

Inveja e Vergonha

Duas palavras muito ouvidas nos últimos tempos no Brasil. Mesmo estando longe do meu país, confesso que ao acompanhar as notícias, tenho agido dessa forma, usando muito essas duas palavras.

Inveja:

Ficar desejando as coisas dos outros e não fazer força nenhuma pra conseguir naturalmente e por merecimento.

Esse é o significado literal da palavra, mas não é bem o meu sentimento. Apenas desejo muito para o Brasil a força que o povo do Japão tem demonstrado depois de mais uma catástrofe que assolou aquele país. Acompanhar pela TV, pela internet a vontade e garra de técnicos que arriscam a própria vida para conter o vazamento de radiação em uma usina nuclear é comovente e invejável. Ver os diretores responsáveis pela mesma usina se curvarem diante do mundo pedindo desculpas pelo acidente provocado por um terremoto de grande escala, seguido de um tsunami é ainda mais invejável. No Brasil, como diz a música, “bonito por natureza”, que não enfrenta intempéries vistas em outras regiões do mundo, quando acontece um apagão que deixa metade do país sem energia por 18 horas, um representante do governo vai a TV 72 horas depois para culpar os ventos, a chuva ou um técnico qualquer que não ligou o disjuntor na hora certa. Ai sou obrigado a usar a palavra:

Vergonha.

Sentimento penoso por se ter cometido alguma falta ou pelo temor da desonra.

Quando vejo famílias no Rio de Janeiro perderem suas casas e suas vidas por causa das chuvas de fim de ano e o governo nada fazer para impedir no ano seguinte as mesmas consequências, sinto muita vergonha. Em um país sério, governador e prefeitos renunciariam aos cargos ou seriam processados por não cumprirem a sua função precípua que é a de cuidar dos interesses do povo que o elegeu. A vergonha é ainda maior, quando prefeitura e governo de estado, em questão de horas liberam milhões para salvar o carnaval da cidade. Dinheiro para conter encostas, para urbanizar favelas, para evitar mortes não existe, mas para o carnaval, não falta nunca. Em 2008, centenas de pessoas perderam a vida e milhares ficaram desabrigadas por conta das chuvas que caíram em Santa Catarina. O governo federal que havia prometido ajuda, até hoje, abril de 2011, três anos depois, sequer enviou as barracas para alojarem os desabrigados daquele ano. A mesma tragédia aconteceu em 2009, 2010 e de novo este ano. As redes sociais na internet hoje servem como válvula de escape para quem quer mudar as coisas e colocar a boca no mundo. O grande problema é que essas mesmas pessoas esquecem de tudo isso nos anos eleitorais. Sei que não são sentimentos bons, mas Inveja e Vergonha é o que eu sinto hoje.

Constâncio Viana

quarta-feira, 30 de março de 2011

Ídolo Branco


O nome do cara é Matthew Booth, era o único branco da equipe Bafana Bafana, na copa de 2010. Com 1,98 m de altura bastava entrar no gramado para um jogo da seleção e se fazia silêncio ensurdecedor, segundos depois, vinha das arquibancadas, em uníssono, um longuíssimo "buuuuuuuuuu".
Para quem não é daqui, vaias a Booth, numa frustrante demonstração de que a nação arco-íris sonhada por Mandela não passa de um sonho? Mas não era nada disso. Um tímido aceno do jogador, um toque de primeira na bola eram suficientes para botar as coisas em seu devido lugar. Os fãs, na verdade, apenas celebravam o seu ídolo pelo nome: "Boooooooooth!"
O futebol tem dessas coisas. Unir as pessoas por mais diferentes que sejam. Quem poderia imaginar um povo na sua maioria negra, idolatrar um branco como faziam com Booth. Só o Parreira não gostava dele e durante a copa mal o deixou no banco de reservas. Hoje com 34 anos, ele se recupera de uma cirurgia no joelho e ainda assim é ídolo em todo país. Aqui as pessoas torcem por times de futebol, mas idolatram as pessoas. Matthew Booth é ainda hoje idolatrado por todos os torcedores, esteja ele jogando no time que estiver.
Hoje tive a honra de gravar uma entrevista com esse cara simpático e boa praça que nos recebeu antes de mais uma sessão de fisioterapia.