






















No edifício John Ross de 32 andares inaugurado em 1973 na cidade de Durban, a terceira maior da África do sul está um dos 36 restaurantes no mundo em que tanto o piso como as paredes giraram 360 graus em seu próprio eixo. O Roma restaurante giratório é uma das atrações mais procuradas da cidade e não adianta ir ao local almoçar ou jantar sem antes fazer uma reserva. O visual do topo do edifício é fascinante sendo possível ver quase toda a cidade. O cais do porto e a orla ficam ainda mais bonitos vistos de cima. O ambiente no topo de edifício funciona como uma sala de espera ao ar livre, os clientes do restaurante mesmo com reserva, esperam pacientemente por quase uma hora sem reclamar, tamanha a beleza que o lugar proporciona. Nessa área existem garçons exclusivos que circulam normalmente servindo bebidas até o momento em que as mesas são liberadas. Quem tem alguma fobia de altura não deve esperar por lá. As paredes laterais são de vidro e não são muito altas. A vista é ainda mais deslumbrante à noite. Já no restaurante, dois andares abaixo o giro só é possível graças a um moderno mecanismo equipado com motor elétrico que permite uma volta completa em um intervalo de 25 ou 90 minutos. O estilo italiano é de bom gosto, a comida muito saborosa, o atendimento é de primeira e o mais importante, o preço não é dos mais absurdos, os valores dos pratos variam de 10 a 25 dólares.

Eu já passei pela experiência de morar sozinho quando era bem jovem com uns vinte anos e agora com um pouco mais de trinta, de novo. A diferença é que agora moro sozinho e bem longe de todos que conheço. Da primeira vez passei por alguns perrengues que facilmente resolvia por estar perto de todo mundo. Houve uma ocasião em que estava com muita gripe e sem nenhum remédio ou descongestionante lembrei que água quente com um pouco de sal pra inalação resolveria meu problema de entupimento nasal. Nunca descobri se era verdade. Depois de colocar a água pra ferver, fui pra cama e dormi. Umas duas horas depois por sorte, acordei com uma fumaça de alumínio queimado por toda a casa. Tentei me livrar de um problema e quase morri buscando solução. Agora que estou nessa segunda experiência e bem mais calejado, me vejo em situações estranhas. Quando vou tomar banho levo o celular para o banheiro, nunca se sabe o que pode acontecer né?! Já ouvi falar de estranhos acidentes no banheiro e o seguro morreu de velho. Hoje por exemplo, resolvi pegar o GPS no carro pra localizar um endereço que preciso ir. Depois de sair de casa, trancar a porta e andar uns vinte metros lembrei do celular, voltei pra pegar, claro. Essa vida de aventureiro solitário em terras longínquas não é fácil como parece. Por falar em GPS, às vezes me pego falando sozinho com ela. O GPS é uma menina, mas é teimosa como todas as mulheres. As vezes ela me manda ir para um lado e eu sei que é mais perto por outro lado. Claro, sou sempre mais confiável do que um GPS, "mulher" e sigo meus instintos. Não sei porque ela insiste sempre em teimar comigo. De um jeito ou de outro, aqui, meu melhor amigo é o GPS.








Duas palavras muito ouvidas nos últimos tempos no Brasil. Mesmo estando longe do meu país, confesso que ao acompanhar as notícias, tenho agido dessa forma, usando muito essas duas palavras.
Inveja:
Ficar desejando as coisas dos outros e não fazer força nenhuma pra conseguir naturalmente e por merecimento.
Esse é o significado literal da palavra, mas não é bem o meu sentimento. Apenas desejo muito para o Brasil a força que o povo do Japão tem demonstrado depois de mais uma catástrofe que assolou aquele país. Acompanhar pela TV, pela internet a vontade e garra de técnicos que arriscam a própria vida para conter o vazamento de radiação em uma usina nuclear é comovente e invejável. Ver os diretores responsáveis pela mesma usina se curvarem diante do mundo pedindo desculpas pelo acidente provocado por um terremoto de grande escala, seguido de um tsunami é ainda mais invejável. No Brasil, como diz a música, “bonito por natureza”, que não enfrenta intempéries vistas em outras regiões do mundo, quando acontece um apagão que deixa metade do país sem energia por 18 horas, um representante do governo vai a TV 72 horas depois para culpar os ventos, a chuva ou um técnico qualquer que não ligou o disjuntor na hora certa. Ai sou obrigado a usar a palavra:
Vergonha.
Sentimento penoso por se ter cometido alguma falta ou pelo temor da desonra.
Quando vejo famílias no Rio de Janeiro perderem suas casas e suas vidas por causa das chuvas de fim de ano e o governo nada fazer para impedir no ano seguinte as mesmas consequências, sinto muita vergonha. Em um país sério, governador e prefeitos renunciariam aos cargos ou seriam processados por não cumprirem a sua função precípua que é a de cuidar dos interesses do povo que o elegeu. A vergonha é ainda maior, quando prefeitura e governo de estado, em questão de horas liberam milhões para salvar o carnaval da cidade. Dinheiro para conter encostas, para urbanizar favelas, para evitar mortes não existe, mas para o carnaval, não falta nunca. Em 2008, centenas de pessoas perderam a vida e milhares ficaram desabrigadas por conta das chuvas que caíram em Santa Catarina. O governo federal que havia prometido ajuda, até hoje, abril de 2011, três anos depois, sequer enviou as barracas para alojarem os desabrigados daquele ano. A mesma tragédia aconteceu em 2009, 2010 e de novo este ano. As redes sociais na internet hoje servem como válvula de escape para quem quer mudar as coisas e colocar a boca no mundo. O grande problema é que essas mesmas pessoas esquecem de tudo isso nos anos eleitorais. Sei que não são sentimentos bons, mas Inveja e Vergonha é o que eu sinto hoje.
Constâncio Viana
