terça-feira, 15 de março de 2011

Alegria em uma Vida Simples






Essa semana voltei a Maputo, capital de Moçambique para uma série de matérias sobre brasileiros na África. Conhecemos alguns brasileiros por lá e algumas boas histórias serão editadas, porém, uma coisa que me chamou a atenção, a alegria que é vista no Brasil quando alguém começa a cantarolar uma música, quando se começa uma roda de samba, quando alguém dedilha um violão. Um dos personagens que encontramos por lá foi um cantor chamado Robson, simplesmente Robson. Ele mora em Maputo há pelo menos 17 anos é super conhecido por todos. Por onde passa é reverenciado, cumprimentado. Com a intenção de testar essa popularidade nós o levamos ao mercado do peixe, um lugar muito conhecido em Maputo e a festa foi geral. O cara cantou em Xangana, um dialeto local e o sucesso foi total. Em pouco tempo mesmo com tanto trabalho duro e o calor infernal mo mercado, as pessoas deixavam suas barracas e se juntavam em um pequeno espaço em um bar para dançar e cantar. Além de muito carisma o cara é super atencioso com todos. Uma receita de sucesso em qualquer parte do mundo.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Afinação Africana

Tem tempo que não escrevo nada por aqui. Muito por falta de assunto, muito por falta de coragem mesmo, confesso. Na verdade, só resolvi escrever hoje porque me encantei com uma apresentação feita de graça, na hora do almoço em um restaurante típico aqui na África do Sul. Paramos para almoçar durante uma pauta e um grupo se aproximou perguntando se poderiam cantar pra gente. Eram cinco negros bem vestidos, de boina e muito swing. Como estava com a câmera, não podia deixar de gravar uma parte da apresentação. Os caras são tão bons que acabamos usando a trilha sonora para encerrar a matéria que falava sobre os benefícios deixados após a copa. Um dos benefícios abordados foi exatamente o bom astral que ficou. O link do vídeo anexado mostra um pouco disso.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Maputo 2

Quando cheguei na África do Sul, percebi que algumas coisas, claro, eram bem diferentes do Brasil. Uma específica é o atendimento em restaurantes. Ao contrário dos nossos bares e restaurantes, onde os garçons estão sempre dispostos, prestativos e até disputam os clientes no dia-a-dia, aqui é não é bem assim. Até me acostumar com isso, entrei várias vezes em alguns lugares e fiquei esperando a boa vontade de algum funcionário distraído passar por mim, me ver e perguntar se queria alguma coisa. Essa semana, estive em Maputo, capital de Moçambique e percebi que o atendimento em Johanesburgo é maravilhoso comparado ao de lá. No primeiro dia, fui almoçar em um restaurante português ao lado do hotel que estava. Na verdade, restaurante português é o que mais tem na cidade. Ao entrar, lembrei do Saraiva, aquele personagem (tolerância zero), quando o garçom me perguntou se eu queria almoçar. Resposta afirmativa, tive que perguntar onde poderia sentar. A comida até que é boa, mas em um restaurante cheio, com pelo menos umas trinta mesas, só vi três pessoas atendendo a todos. Claro, esperei uns trinta minutos pela comida e quase fiquei bêbado com tanta coca-cola. Nem um pãozinho é servido enquanto se espera o prato principal. Porém, a melhor parte foi no jantar. Também perto do hotel entrei em um lugar parecido com um bar, bem frequentado, arejado. Mesma história, ambiente grande, duas atendentes. Antes de chegar ao local, passei em uma farmácia, comprei um remédio pra dor de cabeça. Sentei, esperei e depois de uns cinco minutos uma moça, talvez por pena veio me atender, antes não tivesse aparecido, assim eu teria ido a outro lugar. Pedi a ela uma água para tomar o remédio, uma coca-cola e o cardápio. Depois de uns cinco minutos, sem água, sem coca, sem cardápio chamei a moça pra perguntar se ia demorar. A resposta foi um "não é rápido". De fato foi, ela esticou o braço no balcão e me trouxe o cardápio. Saiu de novo, foi na cozinha e veio com uma bandeja trazendo uma taça de vinho para a mesa ao lado. Detalhe: O pedido do casal era um vinho e um suco, ela só trouxe o vinho. Passados uns oito minutos, ela voltou com o suco e nada da minha água ou coca-cola. Segurei o braço dela e de novo pedi de novo a mesma coisa e reforcei dizendo que estava com dor de cabeça e precisava tomar o remédio. Aproveitei aquele momento difícil e fiz logo o pedido do prato que queria. A moça foi em direção a cozinha e voltou com uma garrafa d'água, mas não trouxe nem um copo e nem a coca-cola. Perdi a paciência: _ vem cá moça, vocês estão em greve? Aquela outra moça ali não pode atender também? Pra que duas ou três viagens se você pode trazer tudo ao mesmo tempo? Eu devo ir embora e voltar outro dia, dando um tempo pra chegar o prato? Quem é o proprietário disso aqui? Coitada a moça não voltou mais a minha mesa, mas foi ótimo, como por encanto apareceu um outro garçom que só levou dois minutos pra trazer a coca-cola e mais uns dez minutos pra trazer o prato. Não sei se cuspiram nele ou pior, mas no fim sai de lá sem fome, sem dor de cabeça e menos nervoso.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Maputo 01




Sei que já tem um tempo que não escrevo nada por aqui, as vezes por falta de assunto, as vezes por falta de tempo, falta de saco e até por falta de leitores, mas hoje resolvi colocar umas palavrinhas, porque apareceu um assunto interessante. Quando vim pra África, em maio desse ano, como todo mundo, não precisei de visto. Na África do sul se você é brasileiro, que ainda é o meu caso, basta ter tomado vacina contra febre amarela dez dias antes da viagem, ter o passaporte e poderá entrar no país e ficar por três meses sem problemas. Depois disso, ou você pede uma prorrogação por mais três meses ou sai do país e entra de novo. Como tinha ido ao Brasil em agosto, meu visto de turista foi prorrogado, mas venceu ontem, dia 02 de novembro. Como meu visto de trabalho ainda está sendo analisado pelo consulado Sul Africano em São Paulo, precisei sair de lá e vim parar em Moçambique; uma viagem de uma hora de avião ou quatro horas e meia de carro, partindo de Johanesburgo. Minha vinda seria exclusivamente para passar uma noite e voltar no dia seguinte. Assim renovaria meu visto por mais três meses. Tinha até combinado com uns amigos de fazer um jantarzinho em casa para comemorar meu aniversário. Tudo mudou, vou passar meu aniversário aqui. Já estava longe de todos na África do Sul, agora ainda mais longe estando em Maputo. Como na semana que vem teria que voltar para cobrir a visita do Lula com sua amiga Dilma aqui em Moçambique, ficou mais fácil e mais barato continuar por aqui. Para sorte dos meus quase dois leitores, isso será motivo para mais alguns posts. Amanhã vou contar um caso interessante sobre o atendimento em restaurantes daqui.

sábado, 2 de outubro de 2010

Morrer é complicado






Essa semana fui a Durban, cerca de quinhentos e cinquenta quilômetros de Johanesburgo para gravar um entrevista com o administrador dos cemitérios da cidade. São cerca de sessenta cemitérios, mas só doze ainda tem espaço para enterrar os mortos. Imagine você ser responsável pelo enterro de milhares de pessoas que morrem todos os anos e não ter onde fazer isso. Uma profissão meio mórbida, mas necessária. Pra se ter uma idéia, uma cerimônia funebre aqui pode durar até sete dias e custar cerca de seis mil reais. Já uma cremação não custa mais que cento e cinquenta reais. Mesmo assim isso não atrai o interesse das famílias, porque a tradição e a cultura dos negros aqui na África do Sul, acredita que os mortos devem ser enterrados e não cremados. Os cemitérios que ainda podem receber os mortos totalizam cinquenta mil vagas, mas morrem em média vinte e cinco mil pessoas por ano. Com isso, em dois anos não haverá mais onde enterrar os mortos. As autoridades locais já pensam inclusive em enterrar os mortos na posição vertical pra ocupar melhor os espaços ainda existentes. Outra medida é que os corpos enterrados há mais de dez anos, devem ser retirados das covas, abrindo assim novas vagas para os futuros inquilinos.
Definitivamente eu não pretendo morrer aqui.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Cachorrada

Normalmente, quando escrevo alguma coisa aqui, costumo ilustrar com fotos. Hoje porém, mesmo eu querendo fazer isso, não conseguiria. É que o assunto de hoje é criação de cachorros. No Brasil, em qualquer parte que se vá você encontra um monte de cachorros nas ruas. Soltos ou em coleiras eles estão em todos os lugares. Aqui não é bem assim, a coisa mais difícil de se ver é cachorro, seja vira-latas ou de raça. Um dia desses li em um blog, que um casal em uma cidade aqui perto, chamada Sun City, estava criando uma Hyena em casa. Passei a observar por toda parte que vou e realmente não vi cachorros por ai. Ainda se fosse na china, pelo que ouvi falar lá se come tudo que tem quatro pernas, só não comem mesa e cadeira. Hoje fui a uma favela aqui chamada Alexandra, já falei sobre ela antes e percebi que cachorro lá são as cabras e os bodes que andam livremente pelas ruas. Não sei bem a razão, mas talvez o clima aqui não seja bom para os cachorros e de quebra também não deve ser para os veterinários.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Parque Nacional Kruger






Uma reserva que é do tamanho da Bélgica. Esse é o Parque Nacional Kruger, que só na África do Sul ocupa uma área de dois milhões de hectares e se estende por Moçambique e Zimbabwe. O local é ideal para quem quer ver a vida selvagem ao ar livre. Um destino exótico e surpreendente. A infraestrutura da reserva impressionante. Existe uma espécie de lojinha de conveniência dentro do parque, o Skukuza, onde podemos fazer uma parada para fazer um lanche antes de seguir em frente no passeio. No mesmo local tem também podemos comprar lembrancinhas em uma loja que disponibiliza uma grande quantidade e variedade de produtos com a marca do parque. Para os mais aventureiros é possível passar a noite em chalés que existem no local. O valor da entrada para cada turista é de cento e sessenta Rands, cerca de quarenta reais. Os sul-africanos pagam apenas quarenta Rands, dez reais. O Parque Nacional Kruger é uma das mais antigas reservas naturais do mundo e a mais importante reserva de todo o continente africano. Aqui estão abrigadas em um só local a mais significativa área de conservação da fauna da África do Sul. O parque é considerado o melhor local para a realização de safáris de observação da vida dos animais selvagens. O Kruger é conhecido como “território dos Big Five”, como são chamados os cinco mamíferos de grande porte: leão, búfalo, elefante, leopardo e rinoceronte. Na África do Sul a imagem desses animais é estampada nas cédulas e nas moedas de Rands, o dinheiro local. Em uma visita rápida não é possível conhecer tudo. As trilhas dentro do parque são enormes e a observação, claro, só se pode ser feita dentro do carro. Em vários momentos a proximidade dos animais chega a impressionar. Com um pouco de sorte é possível chegar a poucos metros de zebras, elefantes, girafas, gnus, nyalas e rinocerontes. Alguns animais como a cheetah, leões, hyenas e hipopótamos só mesmo com muito tempo e seguindo o mapa que é disponibilizado na entrada do parque. O parque Nacional Kruger fica cerca de quatrocentos quilômetros de distância de Johanesburgo, quatro horas e meia de carro, as estradas são bem conservadas mas nem todo o percurso é duplicado.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010






Pela primeira vez após quatro meses aqui na África do Sul, sai de Johanesburgo para uma viagem a uma cidade que fica a mais de duzentos quilômetros. Dessa vez não foi a trabalho apesar de ter levado todos os equipamentos na mala do carro. O destino escolhido foi Durban que é a terceira maior cidade do país em número de habitantes após Johanesburgo e Cidade do Cabo. O nome em Zulu é Thekwini. Durban Além de ser um centro turístico, o seu porto é o maior de todo continente africano tendo também o maior terminal de containers de todo o Hemisfério Sul, além um enorme setor industrial. De Johanesburgo a Durban são quinhentos e oitenta quilômetros de estradas muito bem conservadas, duplicadas e muito seguras. A velocidade máxima das vias é de cento e vinte quilômetros por hora. São cinco pedágios pelo trajeto com preços que variam entre oito e quarenta e cinco Rands. Isso é equivale de dois a dez reais dependendo do trecho que se percorre. O visual que temos na estrada é encantador. Durante o percurso passamos por várias fazendas de gado intermináveis e pequenas cidades como: Heldeberg, Grotvlei, Villiers, Harismith, Pietermaritisburg e Pinetown. Não se vê plantações nas fazendas a não ser alimentação para os animais. São centenas de quilômetros de pastos dourados que ganham essa cor pela falta de chuvas desse período de estiagem nessa época do ano. A costa de Durban é conhecida como a Golden Mile: uma extensão de seis quilômetros de areia dividida em diversas praias famosas por suas excelentes ondas para o surfe - ondas que são bem apreciadas desde um dos piers ao longo da costa. Além disso, há outras atividades imperdíveis que rondam suas areias douradas como o Ushaka Marine World, um complexo de aquário e parque aquático. A sensação de proximidade dos maiores predadores dos mares é inexplicável, mesmo estando do outro lado de um enorme vidro que nos separa dos peixes. Em alguns tanques é possível de mergulhar com um escafandro e chegar bem perto de arraiais e outros peixes gigantes, menos perigosos que os tubarões. O parque atrai milhares de turistas durante todo o ano e transforma adultos em crianças em momentos como a apresentação dos golfinhos e das focas em dois grande anfiteatros aquáticos. São centenas de espécies diferentes de peixes, pinguins, tartarugas marinhas, lojas, restaurantes, lanchonetes. Um lugar pra levar toda família e passar um dia com muita emoção.

sábado, 21 de agosto de 2010

A Beleza da Greve

Greve: segundo o famoso Aurélio, que por sinal é um nome próprio que contém todas as vogais, já reparou nisso? Bem, segundo esse senhor, a palavra em questão significa "Recusa", ou seja, fazer greve quer dizer se recusar a exercer sua função por exemplo. Diante disso eu fico imaginando o porque dizem em matérias jornalísticas que um determinado fulano está fazendo "greve de fome" e com isso ficando magro a ponto de morrer por inanição. Se ele faz greve de fome ele deveria na verdade se recusar a ficar com fome não é isso? Outra coisa que me deixa confuso é ouvir dizer que começou uma greve de ônibus. Sempre fico imaginando uma assembléia de veículos gigantes reclamando de maus tratos com seus motores, falta de óleo de qualidade, diesel aditivado, lavagem duas vezes por semana e também reclamando dos passageiros que não usam desodorante. Não seria greve de rodoviários?
Eu não podia entrar no assunto chave sem aproveitar pra fazer esse comentário. Chame isso de cultura inútil.
A imprensa tem divulgado nos últimos dias, inclusive no Brasil, que servidores públicos da África do Sul estão em greve. Eles brigam por um aumento salarial de 8% em seu salários e um auxilio mensal para moradia. O governo já ofereceu 7% de aumento e uma verba de cento e setenta reais de auxilio moradia. A maior parte dos grevistas são da área da saúde e da educação. As imagens que se tem mostrado mundo a fora, são fortes: manifestantes derrubando portões, invadindo hospitais, a polícia disparando jatos d´água e tiros de borracha nos servidores que lutam por seus direitos. Porém, para quem já viu e até participou de várias manisfestações grevistas como eu, tendo em vista que no nosso país, sindicatos não negociam sem greve e tudo é motivo para fazê-la, aqui, apesar de muitas coisas comuns com o Brasil, eu presenciei uma, no mínimo diferente, e porque não dizer alegre. No vídeo anexado você poderá ver que nos piquetes em frente aos órgãos públicos, os participantes introduzem cantos e danças tradicionais ao movimento. A afinação é impressionante e a coreografia muito bonita. Talvez a qualidade de captação não seja das melhores pelo áudio não ser dinâmico e sim ambiente, mas dá pra ver que mesmo nas lutas por direitos sociais melhores é possível fazer algo mais divertido.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A dura "Vida" dos Rinocerontes



Em alguns países da ásia, existe a crença em que chifres de rinocerontes tem o poder de cura. Curandeiros dizem que esses chifres combatem centenas de doenças e isso fez com que um mercado clandestino começasse na década de mil novecentos e setenta. As caçadas começaram em todo o continente africano e hoje países como o Zaire tiveram quase que cem por cento de todos os seus animais abatidos. Um rinoceronte adulto chega a pesar duas toneladas e meia. Os filhotes de rinocerontes são extremamente dependentes dos pais e a cada morte de um adulto também pode ser o seu fim. Segundo pesquisas, há vinte anos existiam no continente africano entre sessenta e setenta mil animais. Hoje são apenas cerca de três mil. Recentemente fomos a uma reserva chamada Rhino & Lion, que fica à cinquenta quilômetros de Johanesburgo, onde proprietário o sul-africano Ed Hern, disse que os caçadores sãos experientes e dispõem de equipamentos modernos. Durante o dia eles sobrevoam parques nacionais e reservas privadas de helicóptero. À noite, munidos de binóculos e espingardas com miras de visão noturna dão início à execução que é sempre de forma cruel. Os animais são atingidos por dardos paralisantes e mesmo vivos tem seus chifres arrancados e morrem com a perda de sangue. Nesta reserva existe uma área conhecida como berçário, onde os bebês rinoceronte são alimentados com leite de cabra, dez litros por dia. Com nove meses pesam cerca de quatrocentos e cinquenta quilos. O som emitido pelos bebês no momento da amamentação é impressionante. Parece que são crianças chorando por causa da mamadeira. Só mesmo quem está perto para ver o quanto são frágeis, apesar do seu tamanho assustador.